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Mas porque sois já morta ? Era-vos muito afan em dar eabo á miséria? Não vos tratava eu bem? Descontentava-vos eu? Pensáveis que eu poupava trabalho e cerebro? Aehaveis-lo aeaso máos os meus versos; as eriticas de meus invejosos vos coravão tanto de ser a mãi de um tão máo rimador?... Ereis uma litterata outrora em nossa aldeia!... Hoje apenas um pobre esqueleto de pernas núas. Pobres pernas! velhos ossos! Inda esta noite eu vos rebueára com meu gibão! É eulpa minha se o forro esgarçou e o estofo era leve? É como a fazenda de que me fizeste, ó velha Meg! Eu era vosso filho setimo; todos erão bellos e altos, museulosos e eheios de ardor, excepto eu o mais moço. Erão robustos mantanhezes, atrevidos caçadores de corças pardas : e comtudo, desde Dougal o Negro até Ryno o Ruivo, todos morrerão sem pensar em levar-vos ao cemiterio. Só ficou-vos o pobre Aldo, o pallido filho de vossa velhice, frueto debil de vossos últimos amores, fi que pudera elle fazer ainda por vós, que não fizesse? Porque lhe não déstes como aos outros um peito largo e liombros másculos? Esta breve mão de mulher poderia manejar as armas do bandido ou a clavina do eaeador? Poderia soerguer o remo do pescador e porfiar o pugilato com o sòlho? Nada esperaste de mim, e, ao ver-me tão raehytico, nem vos dignareis mandar-me ensinar a ler! E quando faltarão todos e fieastes a sós com o vosso aborto, não vos sorprendeu o ver que uma voz no fundo do cerebro lhe decorara e commentava os cantos dos nossos bardos? Quando aquella voz fraea fez ouvir melodias selvagens, que moverão aos homens embotados das cidades, que lhes acordarão idéas perdidas, sentimentos esquecidos de ha tanto, beijaste o filho na fronte, sanetuario de um gemo gerado sem o saberdes.

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Quanto a mim, nada me resta. A tarefa está finda. Todas as hervas de Inisfail-a-verde podem brotar-me no cerebro agora — deixei-o de pousio... É tempo que descanso : bastante soffri