Página:Obras de Manoel Antonio Alvares de Azevedo v2.djvu/87
doar! Não, elle não se matará! Que lhe falta? Dinheiro? Pois bem, eu tê-lo-hei — acha-lo-hemos algures! Tomai, tomai, eis joias que nunca ousei trazer — tomai-as, vendei-as. Matar-se! ali! diante de meus filhos!...
……………
Quando todo aquelle amor de mulher rola até a idéa do sacrifício da honra pela vida delle, dizei : não é sublime aquella alma de anjo, que desceria do céo por aquelle pallido moço? — não vos alembrais ante ella do mysticismo da Eloa sacrificando-se por Satan o perdido — como Klopstock a entrevio, como Vigny joven sonhou no seu poema?
O acto 3º é o primor da peça — É na alcová de Chatterton «sombria, estreita, pobre, sem fogo — a enxerga miserável e o leito em desordem. »
O monologo é rico — desse acto —; traduzirei duas amostras dos dous monologos de Chatterton. Á primeira representação dessa peça, na Revista dos Dous Mundos sahio um bello artigo que lhe analysa o enredo e o desenvolvimento. Para o mais lá reenviamos ; — toda a vez que o leitor passar os olhos por aquelle tombo de bellos escriptos, certo lucrará.
SCENA I
CHATTERTON.
Certo ella me não ama... e eu? nem quero mais pensa-lo. Tenho as mãos em gelo, e a cabeça me queima. — Eis-me só em frente do meu trabalho. Não se trata de sorrir e parecer