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é o romance que o jornal ataca; a critica vai além a vida, a honra da pobre mulher é rojada ao leito de lama que o successor de Jeffrey lhe cavára com as mãos. Sand é ahi uma perdida; só lhe faltou a palavra Shakspeariana — o cinismo de Othello abafando Desdemona— chama-la a whore...

O Sr. Nisard coneneeu-se mais do seu ministério. Se a critica se ala nobre é quando homens daquelles a tratão, quando nas mãos de Sainte-Beuve, Th. Gautier, Chateaubriand, V. Hugo é ella o treslado de idéas philosophicas, e não a diatribe a rasgar com mãos impias o véo de vestal das creações da poesia. Embalde a resposta do romancista a Nisard, a expressão delle é verdadeira : a synthese dos livros da autora de Valentin e Leonia é o egoismo dos sentidos, a metaphysica da matéria; o amante é o rei nos livros delia, o marido se azumbra, sublimado apenas quando se sacrifica, como Jacques, aos prazeres de sua mulher com seu amante,- e seja-nos licito aqui estender mais uma idéa do Sr. E. de Girardin no seu livro de Estudos Dramaticos — aquelle Jacques que veio dar o quarto desenlace ao romance dos amores cubiçosos de um estranho pela mulher casada (após Rousseau que o findára com a morte de Julia de Woldemar, Goethe com o suicidio de Werther, Dumas com o assassinato de Adèle e a devoção de Anlony o bastardo) com a morte voluntaria do marido. Ahi nesses volumes o casamento é um escarneo. Que importa Simon finde por um casamento nem mais nem menos que um conto