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SUD MENNUCCI

Gama, resam as cronicas, com um patético histórico de sua existência, pintando ao vivo a odisséa dolorosa que lhe havia sido a vida até aquela data, comoveu a assistencia e o corpo de jurados, fazendo-se absolver por unanimidade. E foi ainda aclamado pela multidão que o esperava ás portas do Forum e que o levou a sua casa, carregando-o em triunfo. E’ bem provavel que, nesse dia, tenhamos perdido a sua melhor biografia, relatada com paixão e com calor, em defesa, mais uma vez, de sua liberdade. Não havia taquígrafo que a apanhasse, nem era moda do tempo. Aliás, para a justiça, para o publico e até para Gama, a questão não valia tanto.

De minhas dificeis, morosas e incomodas buscas pelos poucos jornais que me foi dado consultar, conseguí salvar um belo trabalho de doutrina, acerca da escravidão e que nunca ví citado em parte alguma. Achei-o na secção paga do numero de 18 de dezembro de 1880, da “Província de São Paulo” – o que mostra que a birra entre o negro e o jornal continuava, por causa dos anúncios dos escravos fugidos. Merece a transcrição que lhe vou fazer, não só porque de Gama ha muito pouca cousa conhecida, maximé em prosa, mas tambem porque se trata da velha questão – ainda em 1880! parece incrivel! – da lei de 7 de novembro de 1831, que os escravocratas queriam estivesse revogada e que não tendo podido reformar em 1837, como relatei páginas atraz, tentavam fazê-la letra morta mediante uma jurisprudência de interpretação. O longo artigo de Gama dará a medida da firme e disciplinada dialética do temido advogado, de seu poder de