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Dirão que é justiça de salteadores? Eu limito-me a dizer que é digna dos nobres ituanos, dos limeirenses e dos habitantes de Entre-Rios.
Estes quatros negros, espicaçados pelo povo, ou por uma aluvião de abutres não eram quatro homens, eram quatro idéas, quatro luzes, quatro astros; em uma convulsão sidérea desfizeram-se, pulverizaram-se, formaram uma nebulosa.
Nas épocas por vir, os sábios astrónomos, os Aragos do futuro hão de notá-los entre os planetas: os sois produzem mundos.
Teu Luiz.”
Como não havia de ser aborrido um homem com essa intrepidez, com essa fortaleza de ánimo em atacar, nos seus erros, seus abusos, nos seus delitos, os poderosos do dia, a aristocracia rural que mandava discrecionáriamente no Brasil?
Certas expressões desta carta fazem relembrar outro episódio que dizem ter sucedido com Luiz Gama. São aquelas em que afirma: “assim, o escravo que mata o senhor, que cumpre uma prescrição inevitavel de direito natural” ou, então, “quando, porém, por uma força invencivel, por um impeto indomável, por um movimento revoltado, levantam-se (os negros) como a razão, e matam o senhor, como Lusbel mataria Deus!... Estas frases dariam cunho de veracidade a uma explosão de Gama, num Tribunal do Juri, defendendo um escravo que assassinara o proprio senhor.