Página:O matuto - chronica pernambucana (1878).djvu/399

Esta página foi revisada, mas ainda precisa ser validada

medonhas commoções, um desses terriveis cataclysmos, que se resolvem no apparecimento de mais um vulcão, na abertura de mais um abysmo.

— Misericordia! Misericordia! Gritaram dentro algumas mulheres aterradas.

Quando iam descendo, ouviram os fidalgos o estrondear de uma forte descarga do lado de fóra. Era a resposta que os da rua davam aos do sobrado. Era mais do que uma simples resposta; era principalmente intimação, feita pelo fogo, a que se rendessem, sinão a acerba ameaça de que dentro em pouco tempo não passariam de vencidos e prisioneiros.

A luta estava terrivelmente travada. Em alguns minutos ninguem mais pôde entender-se. A mosquetaria atroava os ares com suas vozes assustadoras. As descargas succediam-se incessantemente umas ás outras. Contra os paredões e muralhas de solida e antiga fortaleza não batem com mais furia as balas de canhões inimigos do que as dos mosquetes dos matutos contra as paredes, as portas, as janellas do sobrado do sargento-mór em quem elles consideravam encastellado o despotismo, o orgulho e a maldade de um senhor feudal.

— Germano? Germano? Chamou o sargento-mór,