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Até os de Goyanna, que não são muitos, hão de apresentar-se contra os nobres, disse o alcaide-mor.
— Tambem os de Goyanna? Inquiriu com incredulidade a mulher de João da Cunha.
— A senhora d. Damiana duvida que o façam? É porque ignora que os do Recife mandaram grossas quantias para cá comprar a gentalha que nos odeia. Antonio Coelho, do balcão de sua loja, que considera um throno, só tem para os nobres injurias e desprezos. Belchior Ferreira, de certo tempo a esta parte, monta guarda a horas certas todos os dias, em companhia de Romão, na botica do Rogoberto, e leva horas a dizer maldades e aleives contra os senhores de engenho.
— Não admira. Traz sempre a imaginação excitada pelo vinho que lhe dá a beber Antonio Coelho, os olhos encandeiados pelo ouro que lhe mostra, mas não lhe dá, Jeronymo Paes, disse Cosme Bezerra.
— Tenha a senhora d. Izabel certeza de que dentro em pouco ha de soar em Goyanna o grito da rebellião. Quem sabe si a este momento não estão tramando nos escondrijos dos