Página:O matuto - chronica pernambucana (1878).djvu/173

Esta página foi revisada, mas ainda precisa ser validada

porque sem a destruição total della não poderão ficar senhores de todo paiz. Não moro na vila de Goyanna, mas lá mesmo no meu mato soube que o ouro dos mascates andava por aqui nas mãos de baixos commissarios.

— Tendes razão, tendes razão—disse Manoel de Lacerda. O que dizeis é verdade.

— Antes de montar a cavallo para vir a esta reunião, disse-me um dos meus lavradores que soubera terem sido distribuidos em Goyanna, donde chegava, 14,000 cruzados para a compra de gente que apoie a causa dos mercadores. Si isto é veridico...

— É veridico—disseram muitos dos que se achavam presentes.

— Si assim é, proseguiu Mathias Vidal, não será imprudencia desampararmos nossas casas, que, privadas de nosso encosto e sem nenhum meio de defeza, visto que teremos de levar comnosco as nossas escravaturas, ficarão expostas a grandes desgraças?

A estas palavras que sahiram fracamente dos labios de Mathias Vidal, como d'entre duas pedras cahem gottas de agua nativa, seguiu-se um momento de silencio. Nellas vinha um cunho de madura prudencia que abatia e resfriava