Página:O matuto - chronica pernambucana (1878).djvu/115

Esta página foi revisada, mas ainda precisa ser validada

— Não grites, não chores, que vou chamar minha mãi para tratar de ti.

Esta inspiração, que transluziu como reflexo de prazer intimo, em seu semblante, pouco tempo antes annuviado pela sombra do desgosto, rapida se desvaneceu, deixando em seu lugar no espirito do rapaz um sem numero de interrogações, cada qual mais acerba e atroz.

— Que dirá minha mãi quando souber do que eu fiz? perguntava elle em silencio a si mesmo. Para que tomei eu esta vingança? Porque não esqueci de todo a offensa passada? Minha mãi, meu pai, seu padre Antonio que já me quer tanto bem, que idéa ficarão fazendo de mim d'ora em diante? Um me chamará máo, outro cruel, outro deshumano, coração de tigre. Minha mãi dirá que perdeu comigo seus conselhos; meu pai dirá que, em lugar de trabalhar, ando eu fazendo mal aos outros sem me lembrar de que elle só me encaminha para o trabalho. E seu padre Antonio, oh meu Deus, seu padre, que se mostra tão meu amigo, de que modo não me ficará tratando d'ora por diante? Ainda ontem elle me fazia escrever esta passagem da Escriptura: «Que homem haverá por acaso entre