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terbo, Elucidario, traz provença como do sec. xiv. Nos Dialigos de S. Gregorio, ms. do mesmo seculo, existente na Bibliotheca Nacional[1], fls. 19-v., lê-se tambem provencia. Numa cantiga que ouvi em 1904 em Castro Laboreiro (Alto-Minho) entra probencia; aqui a cito:

Adeus ó billa d-Acrasto,
Probencia de Trás-os-Montes

No dia que te num bêjo
Meus olhos som (ou sõu?) duas fontes[2].

Cfr. Proença, nome de terra e appellido.

pulso. Vid. tocar.

pungir, picar, ferrar (em sentido physico): xxii, 3. — Flexão: punguo, 1.ª pessoa do pres. do indicativo.

 

Q

 

quebrantar, quebrar (em sentido material), despedaçar: xiv, 6 (quebramtar-sse-ha); quebrar (em sentido moral), interromper: xxxviii, 16 (quebrantauan as tregoas).

quedar, ficar: xv, 16 (os homẽes quedam em vergomça).

queente, quente: x, 9. — Os ee são etymologicos: por caente < lat. ca(l)ente-.

queentura, quentura: vii, 7-8. — Os ee são etymologicos; vid. queente.

querelar-se, queixar-se: lxi, 19.

 

R

(Vid. com r- as palavras que no texto começarem com rr-)
 

rãa, rã: iii, 3 (rrãa) — Os aa são etymologicos: lat. rana-.

rabaz, adj., que arrebata: lxi, 72, na expressão «lobos rrabazes». Analogas expressões se encontram em Sá de Miranda, Obras,

  1. Marcação bibliotecal:
    ant.73

    mod. 182
  2. A cantiga contém um êrro geographico, pois Crasto (que ahi soa Acrasto) não fica em Trás-os-Montes; ella porém é mera adaptação local de outra que começa:
    O Villa Real alegre,
    Provincia de Trás-os-Montes.

    O povo attendeu só á rima, e não ao sentido.