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damninha de poderes pessoaes muito mais intoleraveis. O outro carecia, ao menos, de tornar-se vigoroso pela apparencia de inspirações e de fitos desinteressados; não dava origem, em parte alguma do territorio nacional, á colonia de abjecção moral, onde o brio se torna cada vez mais alheio; toda a gente sabia que as situações más e os dias aziagos não se eternizavam; havia para cada alma a esperança de uma epocha melhor. Hoje a esperança parece para todo sempre cerrada a todos os amargores… Em resumo: o poder pessoal do Imperador, aliás muito attenuado depois da lei de 9 de Janeiro de 1881, consistia em mudar os govemos e as situações sem outro criterio que o seu. Era um arbitrio que tinha o objectivo impessoal de manter na governança as differentes competencias, separadas umas das outras pelas arregimentações partidarias e de permittir que cada uma d’ellas pudesse gozar por sua vez das honras, vantagens e responsabilidades da direcção politica. Fazia officio de balança para o equilibrio d’essas forças e procurava tel-as satisfeitas, vigiando-se mutuamente e competindo no serviço da patria. O objectivo do poder pessoal que hoje domina em toda a parte é de garantir aos seus detentores suas familias, seus parentes e sequazes o emprego que fornece o ganha-pão ou a posição que dá o prestigio á sombra do qual augmentam os bens, se fazem as fortunas, honradamente quando se é honrado, por todos os meios, mesmo os mais cynicos e criminosos, quando se não possue escrupulo, nem probidade, nem decoro… O Brazil politico pode ser considerado um aggregado de ventres ».
Um traço interessante a notar é o appello que os partidos ou antes as personalidades em opposição faziam quasi invarravelmente ao Imperador que combatiam e mesmo quando o estavam combatendo, para exercer esse « poder pessoal » que, no seu juizo, devia ser a expressão da auctoridade soberana e que elles pretendiam não se exercer assaz para purificar a atmosphera politica. Dir-se-hia que só pensavam em justificar seus ataques. « Aquilo de que accuso o Imperador — escrevia Joaquim Nabuco em 1886 — não é de exercer o governo pessoal, é