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O IMPERIO BRAZILEIRO

obrigatorios os casamentos civil e o registro civil. O sentimento da familia tem-se até aqui opposto com vantagem á dissolução do laço matrimonial pelo divorcio.

 
 

Acima dos partidos pairava a Corôa, cuja influencia andava sempre exposta a ser exaggerada e criticada pela opposição, invariavelmente desolada por ter que ceder o lugar, quando no poder, a outro governo e desejosa de reconquistar o que Martinho Campos, senador liberal e presidente do conselho, chamava pittorescamente « o emprego ». O « poder pessoal » do Imperador foi uma expressão proverbial da phraseologia politica do Brazil durante o longo reinado de D. Pedro II, o qual, entretanto, se defendeu de haver jamais exhorbitado das suas attribuições constitucionaes, que o revestiam da dignidade de moderador ou arbitro, mas não o deveriam reduzir a um titere mechanico, joguete de todos os ambiciosos. Um senador da Republica, Moniz Freire, assim apreciava, 24 annos decorridos do novo regimen [1], essa lenda politica: « O paiz anda, senhores, entregue ás tenazes de um systema que não é mais do que o poder pessoal universalmente organizado. Poder pessoal praticamente irresponsavel do Presidente da Republica; poder pessoal dos individuos, familias ou facções que se assenhorearam dos Estados, peor, muito mais directo, muito mais offensivo, muito mais em contacto com a carne do que o outro; poder pessoal dos chefes politicos que dirigem o serviço da servidão parlamentar, encarregados de fiscalizar a boa marcha do trabalho, o seu rendimento, a lubrificação, a mudança de peças, o asseio e o polimento dos metaes de todo o mechanismo… O Imperio desmoronou-se, o poder pessoal do monarcha foi destruido e no seu lugar surgiu essa vegetação


  1. Discurso de 26 de Agosto de 1913.