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O IMPERIO BRAZILEIRO
 
CAPITULO V
O Imperio e a escravidão


Ao Imperio legou a colonia ou antes o Reino unido uma pingue mas triste herança, á qual aquelle não teve a coragem de renunciar: foi a instituição servil, euphemismo que na America do Sul, como na do Norte, serviu a tornar menos dura a expressão e menos acerba a evocação da condição social a que correspondia. Captiveiro lembrava muito as lamentações biblicas e a sorte menos cruel dos prisioneiros de guerra no mundo antigo. Escravidão é a palavra propria, mas frizava demasiado a aviltação de uma parte da humanidade. Servil é uma especie de meio-termo, recordando a Edade Media mais do que os tempos classicos e dando á posse da creatura por um seu semelhante um aspecto de dependencia.

O Brazil não tivera, para alcançar sua independencia, que sustentar, como as colonias hespanholas, uma lucta porfiada pelas armas: si tal houvesse sido o caso, a abolição ter-se-hia então realizado pela mesma razão que a produziu nos Estados Unidos, onde aliás o Sul considerava a escravidão « a pedra angular do edifício social » e profligava a emancipação como « um attentado perturbador dos designios providenciaes », pois que a Biblia consagrava a instituição servil. O Norte pretendia uma transacção mais, encaminhando-se para um desfecho verdadeiramente christão e foi a resistencia dos plantadores, indo ao ponto da separação, que provocou a reacção do governo de uma União laboriosamente consummada, traduzindo-se pela me-