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CAPITULO III
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e approximava do ideal entrevisto pelos seus fundadores ». Este escriptor mais do que nenhum outro competente para julgar instituições que representava como pretendente monarchico e interessado na sua publica discussão [1], é no emtanto o primeiro a pôr em relevo o erro capital do Imperio — erro bem perdoavel e que até se pode qualificar de meritorio — qual o de « preterir, para base da sua auctoridade, as idéas abstractas aos fundamentos naturaes que os ensinamentos do passado pudessem ter-lhe indicado ».

Recorda tambem o Principe D. Luiz que na sua opinião os annos de 1860 a 1870 assignalam o apogeu do regimen imperial e que depois de 1870 « o enfraquecimento gradual dos partidos, começado em 1853 e produzido nomeadamente pela grande scisão do grupo conservador, determinou uma decadencia rapida das instituições parlamentares. Multiplicaram-se as coteries; as ambições e os interesses pessoaes entraram a agir, e a vida politica da nação perdeu a magestade serena que até então a tinha caracterizado ». São aliás unanimes em verifical-o os mais notaveis publicistas do regimen. As famosas Cartas de Erasmo, cartas publicas dirigidas ao Imperador pelo mais celebre dos escriptores da pleiade romantica brazileira, José de Alencar, faziam appello antes de 1870 á suprema auctoridade do throno, de que exaltavam a excellencia e o poder, para corrigir a confusão dos partidos e a anarchia das idéas, Não se passaria, porem, muito tempo sem que esse José de Maistre se revelasse menos ardentemente monarchista por um incidente pessoal [2].

No conceito de Joaquim Nabuco nenhum periodo pode comtudo ser comparado ao da Regencia com relação ao sentimento elevado das coisas publicas e ao espirito essencialmente liberal. « Esses homens, diz elle no livro destinado a descrever o meio em que operou a actividade paterna, possuiam n’aquella epocha outro caracter, outra solidez, outra rectidão; os prin-


  1. Sous la Croix du Sud, Pariz, 1912.
  2. Vide capitulo sobre o Imperio e a ordem civil.