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Aluizio Azevedo.

e para a esquerda, como quem dispara tiros sem fazer alvo, e vociferava imprecações, aproveitando aquella valvula para desafogar o velho odio accumulado dentro delle.

— Bandidos! berrava apoplectico. Cafila de salteadores!

E o seu rancor irradiava-lhe dos olhos em settas invenenadas, procurando cravar-se em todas as brancuras e em todas as claridades. A virtude, a belleza, o talento, a mocidade, a força, a saude, e principalmente a fortuna, eis o que elle não perdoava a ninguem, amaldiçoando todo aquelle que conseguia o que elle não obtivéra; que gosava o que elle não desfructára; que sabia o que elle não aprendéra. E, para individualisar o objecto do seu odio, voltava-se contra o Brasil, essa terra que, na sua opinião, só tinha uma serventia: enriquecer os portuguezes, e que, no emtanto, o deixára, a elle, na penuria.

Seus dias eram consumidos do seguinte modo: Acordava ás oito da manhã, lavava-se mesmo no quarto com uma toalha molhada em espirito de vinho; depois ia ler os jornaes para a sala de jantar, a espera do almoço; almoçava e sahia, tomava o bonde e ia direitinho para uma charutaria da rua do Ouvidor, onde costumava ficar assentado até ás horas do jantar, entretido a dizer mal das pessoas que passavam lá fóra, defronte delle. Tinha a pretenção de conhecer todo o Rio de Janeiro e os podres de cada um em particular. Ás vezes, poucas, Dona Estella encarregava-o de fazer pequenas compras de armarinho, o que o Botelho desempenhava melhor que ninguem. Mas a sua grande paixão, o seu fraco, era a farda, adorava tudo que dissesse respeito ao militarismo, posto que tivéra sempre invencivel medo