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linguas

ristico n’este grupo de linguas, é que as suas fórmas grammaticaes são quasi todas ao inverso das nossas.

Passo a exemplificar isto, porque póde esta observação levar a comparações de não pequeno interesse.

Todas as linguas conhecidas, e que têm sido objecto de estudos, têm uma unica forma para exprimir as pessoas do verbo, e essa forma é a das terminações; nas indo-latinas é assim: laud-o, laud-as, laud-at, laul-amus, laud-alis, laud-ant; expressa as pessoas pelo mesmo mechanismo porque o portuguez o faz: louv-o, louv-as, louv-a, louv-amos, louv-aes, louv-am. Entre o portuguez e o latim a raiz mudou, mas o mechanismo é o mesmo.

O nosso tupi veiu fazer brecha n’essa regra dos philologos, apresentando-lhes um mechanismo tão ou mais simples, porém inverso, e por tanto distincto.

Todo mechanismo que serve para conjugar os verbos, quando é posposto á raiz nas linguas aryanas, é anteposto no tupi; e o que é anteposto nas linguas aryanas, é posposto no tupí.

Logo: em quanto as linguas classificadas significam as pessoas dos verbos por uma posposição, conservando a raiz em 1º lugar, o tupi põe a raiz para o fim, e começa por aquillo que entre nós é terminação. A vista d’esta regra, em vez de uma conjugação difficil e obstrusa, o mechanismo dos verbos fica tão claro como em portuguez; aquillo que os antigos grammaticos chamaram artigo, não é senão a mesma