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linguas
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Arte do padre Montoya, diz em 7 de Março de 1630 o seguinte: y oxalá los prelados que allà en el Brasil tenemos nuestras Diocesis tan vezinas al dicho Paraguay, y Rio de la Plata, vieramos en ellas este espiritu, este zelo, e estos frutos, pues confiesso que andãdo yo visitãdo, me ayudé de uno destos iudios traìdos del dicho Paraguay para que en el Ingenio adonde estava quedasse con cargo de doctrinar à los otros del dicho Ingenio. Mas os indios do Rio de Janeiro e S. Paulo fallavam o tupi, logo o tupi é nem mais nem menos o mesmo guarani, com algumas differenças[1].
Indole das linguas do grupo tupí
Um facto que não deixa de ser singular e caracte-
- ↑ Entre as differenças uma ha curiosa, e é a tendencia que manifesta o guarani em abandonar as raizes primitivas dos vocabulos aglutinados, e isto demonstra que o guarani é posterior ao tupi; exemplo: cicurijú, é o nome da nossa grande serpente amphibia, em tupi; os guaranis dizem curyjú; Cahapora, é o nome de um genio de sua mythologia de que fallaremos adiante, em tupí; os guaranis dizem: Pora Curupira. Matim taperé ou Saci Cereré é o nome de outro genio em tupi; os guaranis dizem: Céréré; onça, jaguara em tupi os guaranis dizem jagua. Estes exemplos, que eu poderia alongar a um grande numero de vocabulos, indicam que é a mesma lingua em dois periodos: o tupi em um periodo mais primitivo, quasi monosyllabico, conservando com escrupulo as raizes com que formou a aglutinação; o guarani em um periodo mais desenvolvido, aquelle em que a raiz monosyllabica perde a significação para abandonal-a ao vocabulo aglutinado. Portanto o tupi é anterior e por isso denominamos o grupo com o seu nome.