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dizem os tupís: çapucaia. Ora. é absolutamente impossivel encontrar identidade de raizes entre estas duas palavras: uru guaçu, e çapucaia; quem não conhecer a língua pensará mesmo que os vocabulos pertencem a dous idiomas distinctos; mas, desde que conhecer a significação das palavras, verá que uru guaçu quer dizer, perdiz grande; em verdade a gallinha se assembléa á perdiz; mas, não havendo perdizes no Pará porque não ha campos, o nome de uru era dado a outros individuos da familia que em nada se assemelham á gallinha, e portanto não era natural que elles se servissem do mesmo qualificativo; tomaram o canto do gallo para significar a nova fórma, e assim empregaram a expressão: çapucaia que quer dizer: o que grita, tanto em tupí como em guaraní.
Estes argumentos são clarissimos, mas só podem ser bem avaliados pelas pessoas que entenderem a lingua, e isto infelizmente não é vulgar entre nós, o que é de lamentar-se porque, além de ser quasi a lingua vernacula, é ella o grande vehiculo para levar civilisação e religião a, pelo menos, 1:000: 000 de nossos compatriotas que erram ainda selvagens pelo meio de nossos sertões, á espera de que lhes vamos levar a civilisação e o trabalho.
Por esse motivo a estes argumentos eu accrescentarei um de natureza historica, e é o testemunho do Dr. D. Lourenço Furtado de Mendonça, prelado da diocèse do Rio de Janeiro o qual, na approvação que deu a