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I com um ponto em cima, outro em baixo; outros escreveram um y com um accento particular; outros escreveram yg. Portanto, da falta de uma letra que expressasse exactamente o som em questão, resultou que escreveram a mesma palavra por quatro fórmas distinctas, de modo que, quem lê é levado a pensar que havia quatro expressões para designar a palavra agua, quando os dialectos antigos e modernos não teem mais que um só vocabulo.
Esta confusão cresce quando a vogal gutural é seguida de vogal nasal aspirada; por exemplo: sem agua, que se diz: i̙i̙ma; ora, qual o meio de expressar isto com as letras do nosso alphabeto? Não ha: portanto uns escreveram iin, iji, outros igeima, de modo que nós, que lemos as letras com os sons que ellas representam, em vez do vocabulo tupí temos escripto diversos, dos quaes nenhum dá no som verdadeiro.
Um outro exemplo e com elle concluo.
Não temos sons nasaes no principio dos nomes, e por isso não temos meio algum de represental-os sem as convenções supracitados. A palavra, cousa, se diz em tupí m’bae que se pronuncia quasi como umbaé. Para expressar o som tupí com as letras de nosso alphabeto escreveriamos ou umbae, ou m’baé, ou imbae, ou embae, isto são 4 nomes distinctos, dos quaes um só é o tupí.
Á vista d’isto comprehende-se como, para quem lê a lingua antes de haver educado o ouvido pela falla,