Página:O Selvagem (Senado Federal).pdf/32

Esta página foi revisada, mas ainda precisa ser validada
xxx
introducção

movimento de forças aqui seria mais facil ao gentio do que a nós.

Muitos de nós brazileiros tem a respeito do interior não pequena cópia de idéas falsas; a idéa que muitos formam do interior, é que possuimos um paiz de florestas, quando, a excepção das da costa ou das que margeam os rios, todo o territorio é, quasi sem excepção, de eternas campinas. Uma outra idéa falsa que muitos formam do interior é que a população selvagem do Brazil compõe-se de pequenas tribus; assim é pelo que respeita as que estão logo em seguida à população christa. Mas no interior, isto é, além da linha occupada pelos selvagens, que estão em contacto comnosco, existem poderosas nacionalidades que não despertam a nossa attenção porque é ainda immenso o sertão do interior que não é de fórma alguma viajado ou conhecido. Só a bacia do Xingú é maior do que a França. Não ha noticia de um só christão que a tenha tocado até hoje. Não conhecemos nosso interior, ninguem o conhece senão os mesmos selvagens; é disso que vem a crença de que as tribus são pelo commum de 100 a 200 individuos. Para citar só dous factos eu direi que a nação que com os nomes de Gradahús, Gorotirés, Cahiapós, Carahós, (fallam todos a mesma lingua) habita entre o Xingú e o Araguaya não deve ter menos de oito a doze mil individuos. Na bacia immediata (a do Tapajós) conhecem-se tambem duas grandes nações: a dos Mundurucús e a dos Maués; a respeito destas publicou o Jornal do Commercio em Novembro do anno passado a seguinte estatistica: