Página:O Selvagem (Senado Federal).pdf/272
comer, e de noite não dormiu com medo de que a onça o pegasse.
No outro dia o veado foi caçar, encontrou-se com outra onça grande e depois com um tamanduá; disse ao tamanduá: Onça está ali fallando mal de você.
O tamanduá veiu, achou a onça arranhando um páu, chegou por detraz de vagar, deu-lhe um abraço, metteu-lhe a unha, a onça morreu.
O veado a levou para casa, e dissé a sua companheira: — Aqui está; aprompta para nós jantarmos.
A onça apromptou, mas não jantou e estava triste.
Quando chegou a noite os dous não dormiam, a ouça espiando o veado, o veado espiando a onça, A meia noite elles estavam com muito somno; a cabeça do veado esbarrou no giráu, fez: tá! A onça, pensando que era o veado que já a ia matar, deu um pulo. O veado assustou-se tambem e ambos fugiram, um correndo para um lado, outro correndo paro o outro.
O veado foi morar em companhia do cachorro.
Passado muito tempo, a onça tambem foi morar lá, porque o veado já se tinha esquecido d’ella.
No outro dia foram caçar. A onça queria pegar o cachorro. O cachorro de tarde, quando voltou, trouxe caça pequena, cutia, paca, tatú e inambu. Jantaram e depois de jantar foram jogar. A onça jogava e dizia: — O que eu cacei não pude pegar. O cachorro