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agua no fogo para tirar o casco ao jabuti, que devia figurar na ceia; elle não perde o sangue frio; tão depressa o homem sae de casa, elle, para excitar a curiozidade das crianças, filhos do homem, pôe-se a cantar os meninos aproximão-se; elle cala-se: os meninos pedem-lhe que cante mais um pouco para elles ouvirem: elle lhes responde — ah! si vocês estão adimirados de me verem cantar, o que não seria se me vissem dansar no meio da casa?
Era muito natural que os meninos abrissem a caixa; que crianças haveria tão pouco curiosas que quisessem deixar de ver o jabuti dansar? Ha nisto uma força de verosimilhança cuja belleza não seria excedida por Lafontaine. Abrem a caixa, e elle escapa-se.
Esta lenda ensina que não ha tão desesperado passo na vida, do qual o homem se não possa tirar com sangue frio, intelligencia, e aproveitando-se das circumstancias.
O que principalmente distingue um povo barbaro, é a crença de que a força physica vale mais do que a força intellectual.
Napoleão I, por exemplo, nos refere, que os arabes no Egypto muito custaram a acreditar que fosse elle o chefe do exercito, por ser um dos generaes de mais mesquinha apparencia physica.
Ensinar a um povo barbaro que não é a força physica que predomina, e sim a força intellectual, equivale a infundir-lhe o desejo de cultivar e augmentar sua intelligencia.
Cada vez que reflicto na singularidade do poeta indi-