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curso de lingua tupí viva ou nhehengatú
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plicações symbolicas d’aquelles phenomenos astronomicos que mais impressionaram a humanidade primitiva.

Antes de ler essa curiosa confrontação eu estava muito longe de suppor que a Maria Borralheira dos contos populares do Brazil, e que perde o seo chinello, é o écho remoto, conservado pela tradição oral do povo por mais de seis ou sete mil annos, da deusa. Aurora do Rig Veda, a qual era tão veloz que um dos hymnos vedicos a denomina apãd, a donzella sem pés ou sem calçado.

Assim como muitos dos mythos populares do Brazil são mythos vedicos, assim tambem muitos são mythos tupís.

Quem viaja o interior das provincias de S. Paulo, Minas, Goyaz e Matto Grosso ouve constantemente historias em que o Saci Cererê, o Boitatá, o Curupira, como nos o chamamos, ou o Curupim, como o chamam paraguayos e cuyabanos, representão importante papel na vida do homem. Esses mythos tupís confundem-se aqui nas tradições populares com os mythos vedicos de que acima fallei. E isto mostra que:

Neste immenso cadinho da America, ao passo que se fundem e se amalgamão os sangues dos grandes troncos da humanidade, fundem-se e amalgamão-se tambem suas idéas moraes, por uma lei de conservação confiada a esse operario inconsciente e tenaz, a memoria e a tradição do povo illitterato.

Ao passo que as pesquizas dos sabios se vão alargando sobre o animal homem, vai-se descobrindo uma lei que conserva por assim dizer a unidade do typo nas