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ao leitor
xv
Resumindo toda questão em poucas palavras, eu repito aqui o que já disse na epigraphe.
«Conseguir que o selvagem entenda o portuguez, o que é possivel com um corpo de interpretes organisado com praças do exercito e armada que fallem ambas as linguas, e que, educadas nos arsenaes, se dessiminariam depois pelas colonias militares, seria a um tempo:
- Conquistar duas terças partes do nosso territorio, que ainda não pôde ser pacificamente povoado por causa dos selvagens.
- Adquirir mais um milhão de braços aclimados e utilissimos nas industrias pastoris, extractivas e de transportes internos, unicas possiveis por muitos annos no interior; esses braços são tambem os mais proprios para a povoação de nossas remotas fronteiras, os unicos aptos para desbravarem o interior, e serem os predecessores naturaes da raça branca, n’um solo ainda virgem.
- Assegurar nossas communicações interiores para as duas bacias do Prata e do Amazonas.
- Evitar no futuro grande effusão de sangue humano, e talvez despezas colossaes, como as que tem feito outros paizes da America.
Para conseguir estes fins são necessarios esforços. Mas, quaesquer que elles sejão, haverá alguma cousa que nos impeça de tental-o agora em quanto é tempo?
Foi como preparatorio para execução deste pensamento que o governo me encarregou deste trabalho,