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preparativos. Ambos sentiam certa repugnância por estes lugares.

Manuel declarou desde logo que não sairia da casa paterna, senão amarrado. Resolveram pois não contrariá-lo; havia na vizinhança um velho peão, homem de confiança, a quem se podia incumbir a guarda do menino, até que o isolamento em que ia ficar vencesse a sua obstinação.

Tinha o negociante destinado a tarde da véspera da partida para fazer suas despedidas aos moradores da estância. Nesse desígnio se encaminhou para a varanda onde guardavam os animais.

Ali estava Manuel sentado em um cepo, divertindo-se em escovar o pêlo de um cavalo. O animal nada tinha de bonito; era alto, ossudo e esgalgado, mas saía-lhe fogo dos olhos, e a firmeza dos jarretes anunciava sua força e impetuoso vigor. Chamava-se Morzelo; fora o cavalo predileto de João Canho, o sócio de seus triunfos nas parelhas, o companheiro fiel de suas excursões e viagens. Não havia em toda a campanha de Bagé um corredor de fama como aquele.