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Que estremecem de amor. —
Se o fél do escarneo
Os desvairados lábios lhe seccava
Se a ironia passava-lhe continua
Nas frias expressões — não é que gelo
Jazesse nelle o coração — nem que elle
Fosse como Timon de Athenas — esse
Mysanthropo dos bosques —
Não! que viram
Os penhascos do mar quando a deshoras
Por escuro luar vagava — o crino
Do silencio das noites isentando, —
O pallido estrangeiro as faces cheias
De queimadoras lagrimas... e o peito
Quasi em soluços a estallar co'a dextra
Comprimir arquejando...
E pois que digam
O que quizerem. — Máo ou bom o chamem,
Espirito perdido — arrebatado
Pela imaginação como o Propheta
No carro chamejante — ou mesmo chamem
Alma louca varrida... isso que importa?
VI
Era elle rico pois — nascera nobre
Mas como poucos nascem, nobre n'alma
E por velhos brazões d'encoscorados
Pergaminhos que os tempos apagaram.