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— « Mas quando a vida em nós gelou-se morta
— « E o inferno ?...
          — « Comtigo eu o desejo.
— « E Deus ?
          — « Meu Deus és tú,
                 — « E o céo?
                     — « Que importa !

II

Quero-te um beijo mais ! que num só beijo
Exhala-se uma vida em uns rizonhos
Scismar gozos — e o lábio teu me abraza
Me prende e mata o coração em sonhos !

Deixa que a fronte eu pouse-te no seio !
— E molle o somno em tão suave leito
E alma esquecida do soffrer, se embebe
E dorme em paz sem leve dôr no peito !

III

Humido olhar de enlanguecidos olhos
Furtiva lagrima enevada d'entre
O véo dos cilios que o pudor abaixa,
Intenso beijo ao frêmito dos lábios
E um seio que palpita e em ais se afoga
Sob peito ardente — eis a única ventura
Real e santa —
               E o que mais na terra