Página:O Conde Lopo.pdf/57
Das folhas ao luar, e o azul das águas.
Amemo-nos portanto — a noite é bella !
Mais bella a tornem nossos longos beijos —
Vem pois — formosa, que o Sultão escravo
Pede-te ancioso um'hora de volúpia.
Co'a face bella no meu quente seio
Que fazes, muda assim ? dormes, Sultana ?
Fraqueou-te o vinho, de cançada — a mente
E dormes na embriaguez immensa idéa
Dos termos do viver ?
Oh ! como és bella !
Dormida assim com entreabertos lábios,
Como rubins de uma romã partida
Pelo estallar da madurez — purpureos,
Chamando beijos no sonhar da vida ?
Dorme, ó anjo de amor, teu quedo somno
Pelo anciar de meu peito acalentada ;
Máos sonhos não viráõ pousar-te n'alma
Em dõr de coração ! Tepida a aragem
Fagueira corre nas abertas flores.
Um raio de luar por entre os vidros,
Da janella coado vem pousar-te
Sobre a fronte nevada — dorme ! e entanto
Nesses teus lábios que um sorrir descerra
Como rosa á manhã, purpureos, breves,