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Voz de mágico cysne em roseos lábios
Que vivos accendeu da orgia a febre,
Gênio sublime d'ideaes romances
Cheios de sangue e de blasphemia acerba,
Como essa tela do pintor flamengo
De sombrios painéis — Rembrant o pallido
— Onde no claro escuro em ar trevoso
Áurea restea de luz descai na fronte
De cândida visão.
          Mulher sublime
De poemas infernaes, d'alma descrida
Em corpo ethereo — Jorge Sand, na terra
Que peito d'homem que te lesse os cantos
E alma de poeta que entender podesse
Do teu sonhar as harmonias — negras
Como no escuro temporal o vento
A ulular nos pinheiraes quebrados,
Nas ribas negras onde o mar rebenta
Num grito de agonias, oh ! e que alma
Que não sonhasse-te, em ardentes Sonhos,
Sequer sentir o ardor desses teus lábios,
Dos olhos teus de scintillar soberbo,
De viva inspiração e anhellos igneos,
E teu seio a anciar com ondas turvas
No além do alto mar, por sob o delle,
Mulher! qual desses pallidos mancebos
D'almas de lavas que o condão do gênio

Trazem escripto na descôr sombria
Da fronte erguida — corações que enleva
O talisman de arrebatada idéa —