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cidade na beira do Rio. Disserāo ao Nabab que elle tinha morrido do Cholera Morbus. Este monarca ordenou que remetessem á viuva , e filhos huma porçāo de dinheiro , e nāo houve mais mençāo do pertendido defunto.

Quando entrou a estação das chuvas, o Nabab embarcou no seu Brigue de guerra, e desceo o Rio , e ao passar a vista do lugar da nova residencia do maquinista , observando o asseio , e engenhosa disposiçāo da casinhola , mandou abordar. Quem vio elle? O defunto maquinista todo tremulo , e prostrado no chāo , que o supplicava se dignasse ouvil-lo. Baston huma breve explicaçāo para que o Principe , cheio de ira , o levasse na sua companhia á bordo do Brigue que voltou á Laknan.

Apenas chegado o Nabab mandou vir o Visir , e lhe pedio a confirmaçāo da morte do maquinista. Infelizmente nāo ha lugar para duvida , respondeo o Ministro , eu me certifiquei desta morte indo pessoalmente levar á familia o presente de V. M.—Hurumzada ! exclamou o Soberano em hum attaque de raiva : aqui o tens , olhe , e fugi da minha presença!! O Visir virando-se, conheceo o precipicio em que estava. Com hum olhar aterrador , de que o Nabab nāo podia dar fé , elle impoz silencio ao pobre maquinista; e apertanto as ventas com os dedos, voltou-se para o amo soltando varias exclamaçōes bem como estas — « Deos tendes piedade de mim! O quanto Satāo he potente! retro demo-