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v. 6, n. 11, p. 01-13 junho 2013
livro em 1977, e que integra uma obra pouco numerosa, quase que inteiramente dedicada a um artista nascido no outro lado do mundo, Machado de Assis.
Em reconhecimento às suas contribuições para o melhor conhecimento da obra de Machado de Assis no exterior, Helen Caldwell recebeu a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, concedida pelo governo brasileiro em 1959, e o prêmio Machado de Assis, com o qual foi agraciada pela Academia Brasileira de Letras em 1963.
A tradução e publicação de "Our American cousin, Machado de Assis" é uma homenagem da Machado de Assis em linha a essa pioneira dos estudos sobre o escritor no mundo anglófono.
Nós, cuja língua materna é o inglês, não temos menos razão de nos orgulharmos do grande romancista brasileiro, Machado de Assis, do que os próprios brasileiros. Esse mestre da prosa em língua portuguesa, espírito mais original de toda a literatura brasileira, que em sua grandeza pertence não só ao Brasil mas ao mundo, amava o inglês e admirava tanto a literatura em língua inglesa que se apropriou de autores como Sterne, Fielding e Shakespeare — especialmente Shakespeare, que também está na fala e no pensamento de cada um de nós.
Não sabemos quando Machado de Assis descobriu o inglês. Parece que não o aprendeu na escola. Ele provavelmente abandonou a escola para trabalhar quando tinha 12 ou 14 anos de idade. Mas com vinte anos ele já fazia comentários sobre Shakespeare. Alguns anos mais tarde ele começou uma tradução em verso do Paraíso perdido, de Milton. Em 1870, quando tinha 31 anos, começou a traduzir Oliver Twist para o Jornal da Tarde.
Admirava e citava escritores norte-americanos: Benjamin Franklin, Whittier, Longfellow, P. T. Barnum, Edgar Allan Poe. Chamava Poe de "grande escritor" e punha seus contos "entre os primeiros escritos da América".[1] Fez a famosa tradução para o português de O corvo, na metrificação original.
Ele traduziu o solilóquio "To be or not to be" de Hamlet e os versos descrevendo a morte de Ofélia. Mantinha o Hamlet na sua cabeceira, para ser lido toda noite. Para Machado de Assis, como para nós, Shakespeare é a língua inglesa. Falando de um tratado entre a Inglaterra e os Estados Unidos, escreveu: "A vitória de um ou deFundação Casa de Rui Barbosa – R. São Clemente, 134, Botafogo – 22260-000 – Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
- ↑ Várias histórias (apresentação). [In: ASSIS, Machado de. Várias histórias. 2ª ed. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira; Brasília, INL, 1977, p. 55.]