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v. 6, n. 11, p. 01-13 junho 2013
NOSSO PRIMO AMERICANO, MACHADO DE ASSIS[nota 1]
Tradução e apresentação de Hélio de Seixas Guimarães
- Resumo: Esta é a tradução, feita por Hélio de Seixas Guimarães, de um texto de Helen Caldwell, pioneira dos estudos machadianos no exterior, publicado em 1952. Já nesse ensaio ela compara Machado de Assis a Shakespeare, ideia que retomará e desenvolverá com mais ênfase em The Brazilian Othello of Machado de Assis (1960), e também vê no nosso autor uma chave para a compreensão do Brasil. A questão da pertença e do alcance da obra do escritor aparece desde as primeiras linhas e, no desenvolvimento do artigo, a estudiosa norte-americana examina um curioso tópico: a figura do professor na ficção machadiana.
- Palavras-chave: Helen Caldwell; recepção machadiana; intertextualidade; Shakespeare.
- Abstract: This is the translation, by Hélio de Seixas Guimarães, of a text published in 1952 by Helen Caldwell, a pioneer in Machadian studies abroad. Here, the essayist compares Machado de Assis to Shakespeare, a topic she would develop more extensively in The Brazilian Othello of Machado de Assis (1960), and also reads the author as a key to the understanding of Brazil. The issue of the belonging and reach of the writer՚s work is visible from the first lines and to the end of the article the North American scholar examines a curious topic: the presence of the teacher in Machado՚s novels and short stories.
- Keywords: Helen Caldwell; Machadian reception; intertextuality; Shakespeare
A professora, tradutora e crítica norte-americana Helen Caldwell (1904-1987) tornou-se figura-chave para a interpretação da obra de Machado de Assis a partir da segunda metade do século XX com a publicação de The Brazilian Othello of Machado de Assis, primeiro livro inteiramente dedicado à análise de um romance do escritor. Nesse estudo de 1960, Caldwell defendia a tese de que Capitu não havia cometido adultério e introduzia a ideia do narrador não confiável na interpretação de Dom Casmurro.
Embora o livro de 1960 só tenha sido traduzido para o português em 2002, ele provocou reações imediatamente depois de sua publicação. Eugênio Gomes e Wilson Martins combateram suas teses ainda nos anos 60. Outros críticos tiveram nele uma referência importante para o estudo dos narradores de Machado de Assis, caso de Hélio Pólvora, Silviano Santiago, Roberto Schwarz e John Gledson; estes três últimos realizaram
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- ↑ Uma nota sobre a tradução: o ensaio "Our American cousin, Machado de Assis" traz citações de obras de Machado de Assis em inglês, muito provavelmente traduzidas pela própria Helen Caldwell; as referências às edições de onde foram tirados os trechos são sumárias, às vezes inexistentes. Assim, na tradução para o português, que a Machado de Assis em linha publica, busquei os trechos em português em edições fidedignas, e as indicações bibliografias incluídas por mim vêm sempre entre colchetes.