Página:Negrinha- Contos (1920).pdf/126

Esta página foi revisada, mas ainda precisa ser validada

124

NEGRINHA



Era possivel. Era facto. Naquelle, como, em todos os exemplares da edição, lá estava, no hediondo relevo da dedicatoria a Fr. Luiz de Souza, o horripilantissimo — Que SABE-ME...


Aldrovando não murmurou palavra. De olhos muito abertos, e em todo o rosto uma estranha marca de dôr — dôr grammatical inda não descripta nos livros de pathologia — permaneceu immovel uns momentos, trnasformado, como a mulher de Loth, numa estatua de sal, — sal-amargo, pois que a amargura attingira nelle sua expressão suprema.

Depois, empallideceu. Levou as mãos ao abdomen e estorceu-se nas garras de repentina e violentissima dôr.

Ergueu os olhos para Frei Luiz de Souza, murmurando:

— "Luiz ! Luiz ! Lamma Sabachtani ? !"

E morreu. De nó na tripa, dizem uns. De prolapso do utero, opina Toledo Malta. Não importa o nome exacto da causa-mortis. O que im-