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Memorias Posthumas de Braz Cubas
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— Então foi alguma cousa feia? perguntou Marcella batendo na cara da menina.

— Eu lhe digo; a mãe ensina-lhe a rezar todas as noites um padre-nosso e uma ave-maria, offerecidos a Nossa Senhora; mas a pequena hontem veiu pedir-me com voz muito humilde... imagine o que?... que queria offerecel-os a Santa Marcella.

— Coitadinha! disse Marcella beijando-a.

— É um namoro, uma paixão, como a senhora não imagina... A mãe diz que é feitiço...

Contou mais algumas cousas o sujeito, todas mui agradaveis, até que saíu levando a menina, não sem deitar-me um olhar interrogativo ou suspeitoso. Perguntei a Marcella quem era elle.

— É um relojoeiro de visinhança, um bom homem; a mulher tambem; e a filha é galante, não? Parecem gostar muito de mim.. é boa gente.

Ao proferir estas palavras havia um tremor de alegria na voz de Marcella; e no rosto como que se lhe

espraiou uma onda de ventura...


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