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– Salta daí, anda, pediu Joana.
Cecília, sem descer da árvore, continuou:
– Porém esta que apanhei não obedece á regra geral: do lado do pedúnculo é um pouco convexa…
– Desce, anda, insistiu Maria.
– Parva! exclamou Cecília com desdem. ¿Não percebêste ainda que eu o que quero é justificar-me de ser apanhada com a laranja na mão?
E como os tios chegassem ao alcance da voz e lhe gritassem:
– ¿Que fôste fazer para cima da árvore?
Cecília volveu prontamente:
– Explicava ás primas a forma da terra e, ao chegar á zona tórrida, senti um tal calor que precisei de me refrescar.
E começou a comer a laranja. Atirando uma a cada prima, concluiu:
– Vocês façam o mesmo para digerir a lição.
E continuou a comer àvidamente. Os tios desataram a rir e a tia fez sinal ás filhas, que a olhavam interrogadoramente, de que podiam comer. Cecília, saltando num pé e noutro, disse, rindo, ás primas:
– Vocês fazem bem em não tirar as laranjas. Eu sempre apanhei um susto!
– Ninguem havia de dizer! comentou Maria.
– Valeu-te a forma da terra, disse, rindo, o tio.
– Se não fôsse isso…
E a tia concluiu a frase por um gesto ameaçador.
– Estudemos geografia depressa, meninas. Se eu