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opinião pública, quasi sempre inclinada ao mal, deve influir nela. Procura emendar o côrvo, faze-lhe o bem que puderes, sê sua amiga, mas não estimes o seu caracter. Se êle, em vez de ser um animal, fôsse uma pessoa, o teu bom exemplo talvez lhe desse o desejo de emenda.
– Tem razão, mãezinha. O côrvo não tem culpa de ser côrvo.
E, depois dum momento de silêncio, perguntou:
– Não está zangada comigo por eu ter pensado mal?
– Minha filha, se Deus perdôa a todos, Êle, que é a suprema perfeição, não podemos nós, sêres imperfeitos, ser mais severos. E o teu erro é muito pequeno. Paga-se – ¿sabes com quê? –
– ¿Com quê, mãezinha?
– Com um beijo.
– Então deixe-me dar-lhe mil.
E lançou-se ao pescoço da mãe, num movimento de irreprimivel ternura.