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E' realmente nas concepções altissimas da familia que as sociedades progridem. Mas não da familia unida por aparentes laços de harmonia, que acabam por quebrar á falta de solidez cimentada no amor reciproco.

 
 

Diz o artigo publicado no Janeiro do dia 14 de Maio, na apreciação do estado mental da doente discutida:

« Os domínios intelectuais foram relativamente poupados, por isso que não existe delirio, nem sensivel deficit da atenção, da memória, da preceção, ou da associação das ideias apenas afectadas por obcessões descritas; mas os domínios da afectividade, foram invadidos por um subito processo de inversão, que leva a doente a odiar os que mais estima. »

Existe realmente o facto dessa inversão?

Póde ser. Mas se existe, não será uma consequência de outra anterior inversão afectiva que causava as manifestações de rispidez e secura de que era frequentemente vitima a acusada de hoje?

Foram os domínios da afectividade invadidos por outros afectos fóra dos laços conjugais?

É que lhes faltou a ternura e o culto a que tem direito uma mulher inteligente e sensivel. Dai o vácuo que foi cavando na alma o sulco de outras emoções. Daí o desconsolo que a minava quando, prodigalisando carinhos, era correspondida com a réplica agreste do « Não me maces », a que se refere o livro « Doida Não! » a páginas 5.

E porque ha de um homem qualquer ter sempre razão