Página:Maria Feio - Doida Não (1920).pdf/58

Esta página foi revisada, mas ainda precisa ser validada
56

 

Por mim só não me custava sofrer, se por minha não sofresse a minha pobre mãe, coitadinha, e as minhas irmãs que viviam do meu braço!... E aqui está tambem o meu primo que deixou sem amparo a mulher e três filhinhos...

« Mas as torturas que tem sofrido a snr.a D. Maria Adelaide, essas são o meu constante tormento. Porque se assim não fôsse, afinal, a gente aprende muito quando sofre. »

E como que falando a alguem distante rematava numa expressiva filosofia:

— Tambem há gôso no sofrimento!...

Eu interrogava-me: — será verdade tudo isto, ou não passará de ilusão? Confirma-se a existência de uma alma boa?

Há em verdade, neste drama, a essência de um amôr cristão que teve origem num choque de alma para alma, pela alma?

Quási o acredito, tão palpáveis são as revelações.

É uma psicologia do amor que para penetrar nas regiões de uma nobre finalidade, tem de passar antes pela esfera do materialisino e pelo limbo do pecado original?!

Que inspiração é a da minha pena escrevendo isto, que vai fazer pensar tanta gente, e modificar as suas concepções de justiça, senão a colaboração de continuidade pessa obra de amor humanitário encetada por estas duas almas?

Não, não há aqui um caso banal, repito, cada vez mais convicta e interessada.

Este amôr de uma mulher que tem tantos méritos na sua delicada organisação, é relocado de transcendente idealidade.

Captivou-lhe a alma agitando-lhe o corpo porque tinha de passar pela transição das leis naturais que transformam a matéria em espirito. O Manuel é apenas um intermediário