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— Não sei, minha senhora — qualquer coisa de estranho me chamou a este portal.

— Mas costuma aqui andar?

Raras vezes; ocupo-me a trabalhar na oficina para distrair o espírito de amarguras, e porque detesto o ócio e tenho inclinação para o trabalho.

— Venho entrevistá-lo, declarei-the. Interessa-me muito esta tragédia.

E, fitando-o de frente, perguntei-lhe:

— Está disposto a informar-me? Tem confiança em mim? Não trago recomendações.

— Queira V. Ex. dizer o que deseja.

— Mas como confia em mim sem me conhecer? Posso ser espia da parte contraria...

Com um ar de gravidade, que eu curiosamente ia observando, o Manuel respondeu com firmeza e convicção:

— Sim, minha senhora, tenho confiança, porque mais ou menos logo á primeira vista avalio as pessoas com quem trato.

Emquanto o prêso me falava atravez das grades, a minha curiosidade de psicóloga ia analisando traço por traço o conjunto das suas feições, a expressão fisionómica, os gestos, as palavras, as ideias traduzidas no diálogo que ia revelando detalhes interessantes para a definição deste caso.

Em termos correctos e cortezes, o entrevistado propoz que eu me dirigisse á secretaria para que mais comodamente pudesse ali falar-lhe com autorisação do director.

Ele mesmo escreveria um cartão solicitando essa concessão. E dirigiu-se à oficina para escrever o mencionado bilhete.

O andar é um dos detalhes que os fisiognomonistas analisam com a maior atenção para aquilatar o conjunto do caracter.