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Mas no outro lar em que se creou o futuro consorte, e que o egoismo perturba de dores, veem para a alma de outro filho exemplos contrários que serão amofinação e ultraje na casa onde a alegria não transporia o limiar dos sonhos irrealisados.

E' certo que a responsabilidade dêsse exemplo pertence a causas anteriores. O filho que recebe e assimila este exemplo, não é um culpado, é uma vitima interprete dos seus damnos.

Mas esse mal tem de ser combatido embora atacando a vítima dêle.

Neste caso esse mal existia na hereditariedade de caracter e de habitos legados ao consorte pelo seu progenitor.

Diz a Ex.ma Snr.a D. Maria Adelaide a paginas 14 e 15, depois de acentuar o seu desconsolo e desilusão ácêrca do caracter reservado e áspero que o destino poz ao seu lado:

«Mas isto é de familia.

O pai e o avô eram assim para as mulheres. O segundo, que foi sempre pouco equilibrado, não podia ver a mulher.

E ela era tão santa que até deixava as creadas terem em casa as filhas do proprio marido. Mas êle declarou no testamento que não queria ser enterrado ao pé dela.»

Feroz hostilidade!...

Que morbida disposição dos caracteres egoistas e rancorosos a retribuir a resignanda bondade de uma mulher que perdoa os delitos do adulterio e do despotismo!

Nem na sepultura a quer a seu lado! Realmente existe uma incompatibilidade frisante entre a bondade e a crueldade. Uma é positiva, outra é negativa. E' por isso que é sempre atraente a mulher bondosa — que encontra correspondencia na sua ternura. E' sempre antipatico o caracter cruel e duro que martirisa e repele.

Estão justificadas nesta hereditariedade a razão e a verdade