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Formemos os quesitos, tomando para ponto do debate as declarações expostas lucidamente no livro que é obra de uma Doida com Juizo.

Começa a snr.a D. Maria Adelaide da Cunha por dizer no seu livro, com naturalidade despretenciosa e expressões claras e ilucidativas:

«Muito estimada por todos, eu era, por assim dizer, a secretária de meu pai e a sua companheira predilecta.»

E mais abaixo:

«Meu pai e minha mãe adoravam-se, e eu sempre idealisei para mim um lar semelhante em que o amor reciproco, sincero e desinteressado, substituisse tudo o mais que nele pudesse faltar.»

É este o ideal sonhado por tantas mulheres e atraiçoado pela realidade da desilusão!...

Traduzidas fielmente estas declarações, querem dizer:

1.° Que existem meritos reais na pessoa que desperta a estima geral de aqueles com quem lida. Caracterisam-se esses meritos por um dom de atracção.

Essa atracção é uma especie de ozone espiritual de bondade que exerce um influxo de simpatia e encanto, dispondo esse dom sedutor que torna estimáveis e simpaticas as pessoas.

2.° O ambiente familiar de harmonia, de brandura e amor formaram o caracter delicado e terno da filha amada e preferida para secretária e companheira dilecta do pai, homem de erudição, de espirito iluminado e coração afectivo.

Esta preferencia era o élo das afenidades, a recetividade das almas, o reflexo dos corações embelezando e ligando duas vidas de pai e filha na continuidade da virtude familiar.

Aquele exemplo de ternura conjugal cultiva na filha a ância de um lar cor de rosa.