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tão! no corpo... Que vontade nos musculos pela primeira vez espetados depois de tanto tempo! Macunaíma se lembrou que fazia muito não brincava. Agua fria diz que é bom pra espantar as vontades... O heroi escorregou da rede, tirou a penugem de teia vestindo todo o corpo dele e descendo até o vale de Lagrimas foi tomar banho num sacado perto que os repiquetes do tempo-das-aguas tinham virado num lagoão.

Macunaíma depôs com delicadeza os legornes na praia e se chegou prá agua. A lagoa estava toda coberta de oiro e prata e descobriu o rosto deixando ver o que tinha no fundo. E Macunaíma enxergou lá no fundo uma cunhã lindissima, alvinha e padeceu de mais vontade. E a cunhã lindissima era a Uiara.

Vinha chegando assim como quem não quer, com muitas danças, piscava pro heroi, parecia que dizia — “Cai fora, seu nhonhô moço!” e fastava com muitas danças assim como quem não quer. Deu uma vontade no heroi tão imensa que alargou o corpo dele e a boca humideceu:

— Maní!...

Macunaíma queria a dona. Botava o dedão nagua e num atimo a lagoa tornava a cobrir o rosto com as teias de ouro e prata. Macunaíma sentia o frio da agua, retirava o dedão.

Foi assim muitas vezes. Se aproximava o pino do dia e Vei estava zangadissima. Torcia pra Macunaíma cair nos braços traiçoeiros da moça do