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perto de Mendoza na Argentina quasi dar um esbarrão num galé que tambem vinha fugindo da Guiana Francesa, chegou num lugar onde uns padres estavam melando. Gritou:

— Me escondam, padres!

Nem bem os padres esconderam Macunaíma num pote vazio que a caapora chegou montada no tapir.

— Não viram meu neto passar por aqui no seu cavalinho comendo capim?

— Já passou:

Então a velha apeou do tapir e montou num cavalo gazeo-sarará que nunca prestou nem prestará e seguiu. Quando ela virou a serra do Paranacoara os padres tiraram o heroi do pote ,deram pra êle um cavalo melado-caxito que tanto é bom como é bonito e mandaram êle embora. Macunaíma agradeceu e galopou. Logo adiante encontrou uma cêrca de arame porêm era cavaleiro: deu um sacalão, esbarrou o pongo e ajuntando as mãos do animal caido com um geito forte fez o cavalo girar e passar por debaixo do arame. Então o heroi pulou a cêrca e amontou de novo. Galopeou galopeou galopeou. Passando no Ceará decifrou os letreiros indigenas do Aratanha; no Rio Grande do Norte costeando o serrote do Cabelo-não-tem decifrou outro. Na Paraíba, indo de Manguape pra Bacamarte passou na Pedra-Lavrada com tanta inscrição que dava um romance. Não leu por causa da pressa e nem a da Barra do Poti no Piauí, nem