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Cosme, ainda aturdido da queda, volvendo as vistas ao que lhe falara, reconheceu Jerônimo Paes.

Trazia este na mão uma catana desembainhada. Dos olhos fuzilavam-lhe brilhos indescritíveis. O rancor, a cólera, a vingança satisfeita nunca tiveram mais fiel e completa expressão.

— Eu contava com o assassínio como termo natural desta perseguição - respondeu Cosme. Quando saltei pela janela para não morrer pelo fogo que a vossa covardia pôs na casa, escapuliu-me a arma da mão, e caindo em baixo desloquei um pé. Estou que nem posso andar; valho menos que uma criança. Não é pois de admirar que me assassineis.

— Não vos façais de fraco e inocente. Há algumas horas que resistis com as armas nas mãos, ferindo e matando gente. Ali estão três camaradas a quem tirastes a vida; vede aqui quanto sangue derramado de outros três que nem se podem mexer. Como é que agora que vos pondes numa cruz, dizendo que somos assassinos?

Cosme nada respondeu. Tinha nesses momento os olhos voltados para André e Luís Vidal que, no centro da escolta, recusavam entregar os pulsos às cordas com que, por ordem do coronel Braga, pretendiam manietá-los.

— Somos nobres e não temos nenhum crime, dizia Luís Vidal. Não nos sujeitaremos jamais à infâmia de nos deixar amarrar como cativos ou vilões.