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plicidade e nitidêz, podia exprimir-se por tísica.

E tudo isto, em nôme das etimologias, que os próprios pontifices desacatavam, pois que insensivelmente escreviam caridade, caro amigo, idade, Santos, semelhante, etc, quando, se fossem consequentes no próprio absurdo, deveriam escrevêr charidade, charo amigo, Sanctos, similhante, etc.

Faziam mais ainda. Quando a etimologia lhes não offerecia pretextos para escrevêr e complicar a linguagem com adições sábias, acrescentavam sinais e duplicavam consoantes, a seu bel-prazer. De fórma, que era vulgarissimo vêr-se um patriarca das letras escrevêr: cahir, sahir, fallar, Thiago, sachristão, quando não havia razão nem sombra de pretexto para que se não escrevêsse: cair, sair, falar, Tiago, sacristão.

A esta anarquia, para que se não olhaya, ainda nas esferas mais illustradas, mas que era já um grande passo para a ruina da língua, acrescia o caos, em que atropelavaṁ a linguagem os escritôres que, antes de o sêrem, não estudaram o seu idioma.

A ância do renôme, a pressa da celebridade, sacrificava as mais evidentes aptidões,