Página:Lisboa no anno três mil.pdf/61

Esta página foi revisada, mas ainda precisa ser validada
55

nomeação dependia da classificação superiôr, e os candidatos analfabetos tinham ao lado, por traz de um reposteiro, um espírito santo de alpaca, que os convertia momentaneamente em Mezzofantes e Picos de Mirandola, infundindo-lhes o sabêr preciso para discorrêrem de omni scibili e desbancarem os enciclopedistas do século XVIII.

 
*
 

Entre os livros do Reliquiano, há uma interessante monografia, A historia dos concursos em Portugal, e não resisto á tentação de te referir alguns dos seus episódios mais originalmente edificantes.[1]

 
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
 
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
·
 

Podes rir-te á vontade, porque ninguém


  1. Nêste ponto, como noutros muitos, permitto-me a liberdade de reservar para a edição definitiva muitas citações e referencias de Terramarique. O sabio não tinha motivo para condescendencias, e é por vêzes tão cruel, que vou perguntar ao meu travesseiro se será patriotismo vulgarizar desde já tôdas as allegações e commentarios do futuro critíco.
    Além do que, o meu revisôr sustenta convictamente que há muitos casos, em que se deve têr papas na lingua.
    Assim será. E desça a folha de parra.
     

    (Nota do editôr).