Página:Lisboa no anno três mil.pdf/42

Esta página foi revisada, mas ainda precisa ser validada
36

um govêrno julgou indispensável dar o nôme ás vaccas e pôr os pontos nos ii, como então se dizia, uma emprêsa poderosa, Mixórdia & C.ª, fêz uma revolta, que obrigou o governo a cantar a palinódia e deixar corrêr o marfim. Em tôdo o caso, não havia desdoiro na transigencia, porque estava ainda em voga uma sciência, chamada economia política, de cujos princípios bastará citar este: «laissez faire... mixórdia e tudo. »

O que se dava com o vinho reproduzia-se nas demais indústrias: a manteiga era margarina, o café era grão de bico, o assúcar era farinha, os panos da Covilhan eram panos de além-Caia. Por desamôr a êstes panos e a outras fazendas suspeitas, estêve um ministro em risco de sêr crucificado por uma seita de contrabandistas, que infestava o país.

E as falsificações estendiam-se a tudo, desde as indústrias até aos industriais, desde o pôvo até aos governos. Commerciantes de gente negra, bandidos de casaca e luvas, marçanos anónimos que surgiam endinheirados dos alçapões da fortuna, tinham no seu tempo o cognôme de homens de