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Legítimo vinho do Cartaxo !
 

As memórias escritas do quinto período geológico, um pouco mais claras que as do período terciário e quaternário, e bem assim as preciosas informações do cenobita açoriano, convenceram-me de que a prancha alludida era uma tabuleta commercial; e de que a apparente redundância da expressão vinho legitimo era a mais legítima consequência do estado económico e social dos portuguêses, no século XX, ou fins do século XIX, a que a prancha provavelmente pertencia.

Cartaxo devia sêr algum burgo vinhateiro; mas, com o seu nôme, vendia-se vinho legítimo e vinho falsificado. Parece que o mesmo succedia com outras regiões vinhateiras, porque havia vinho do Porto, que era da Bairrada; vinho de Collares, que era de Tomar; vinho de Bordéus, que era de Carcavelos; vinho de Champanhe, que era do Poço do Bispo.

Este qui-pro-quó industrial estava tão radicado nos costumes do povo e no interésse das grandes indústrias, que, quando