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viram para erguêr conventos e praças de toiros. Não sabes talvêz o que eram no occidente as praças de toiros, e é bom que o não saibas, para não mareares por qualquér maneira a ideia sublime que fórmas da humanidade.
Nos princípios do século XIX, Portugal sentiu uns vagos pruridos de civilização, e começou a golpear os privilégios das classes, a humanizar-se, por que assim o diga, e a demandar indecisos ideais que já ficavam longe dos povos verdadeiramente selvagens.
Mas, no espírito daquella nação, operáva-se ao mesmo tempo uma evolução psicológica, que podes offerecêr como problema ao nosso eminente sociólogo Priscofilogêncio: á proporção que se alumiava o espírito público, e que se iam entrevendo os caminhos do devêr cívico e dos destinos humanos, a vontade reagia contra a sciência e contra o bem, e voltavam-se as costas para não vêr o abismo, a que a vontade impellia...
São muito curiosas, a êste propósito, as memórias de Reliquiano, a que me estou soccorrendo. Nos fins do século XIX, gran-