Página:Lisboa no anno três mil.pdf/32
Portugal, um país microscópico, de origem neo-visigótica, pôde mantêr a sua autonomia por déz séculos. Meiado porém o século XXI, já quási nada existia daquella nacionalidade, que têve na história alguns momentos de robustêz e prestigio. Dizem que foi um português quem mostrou aos povos occidentais o caminho marítimo das Indias. A Ásia e a África estremeceram perante os navegadôres portuguêses; as nossas bibliotecas aínda hôje consignam o nôme de um português de gênio, Camões; e nas tradições do occidente ainda não morreu o nôme de um estadista, a quem tôdo este país, especialmente Lisboa, deveu assinalados serviços. Mas para que formes idéa de como entre portuguêses se galardoavam os melhores serviços, bastará dizêr-te que, em meio dos monumentos com que Pombal restaurou Lisboa, os seus contemporâneos ergueram á sua memória um cavallo de bronze, que ainda dura, montado por um cavalleiro anónimo.
Muito excêntricos, êstes neo-visigodos!
Excêntricos, e de pouco juizo. As riquêzas africanas e asiáticas, que poderiam têr impulsionado as artes e as indústrias, ser-